sexta-feira, 1 de janeiro de 1999

Como tudo começou...O patins ou a bike?

Nós estávamos decididos a fazer algo diferente nos finais de semana. Queríamos algo mais: esporte, vida, adrenalina. Escolhemos uma bela tarde de sábado para ir ao shopping procurar por nosso passatempo. Pensávamos numa bicicleta e fomos decididos a escolher duas iguais. Mas, como nada é fácil...
Vivíamos a época da moda de patins, aliás, mais parecia uma febre. Já andávamos há muito tempo quando nos deparamos com uma grande loja de esportes. Logo na entrada, o Cris fixou os olhos num belo par de patins, estampado escandalosamente na vitrine. E adentrou a loja decidido a mudar de idéia. Sim, ele teve um surto, uma vontade maluca que quase me deixou louca – nós tínhamos escolhido uma bicicleta!
Perambulamos pela loja mais de 15 minutos até que o Cris pediu o tal patins ao vendedor. Enquanto ele calçava o patins, eu insistia desesperadamente para que ele pensasse melhor. Afinal, como poderíamos sair juntos, eu de bicicleta e ele de patins? Eu odiava pensar nessa idéia. Ao invés de nos divertirmos, acabaríamos arrumando uma grande briga.
Após quase duas horas, isso mesmo, duas grandes horas, o Cris caminha em direção ao caixa com aquelas botas pretas desengonçadas nas mãos. Bem, ele parecia estar caminhando para a morte: ele suava, suas mãos estavam trêmulas e ele me olhava com cara de interrogação... Eu sentia que não era o patins que ele queria. E na dúvida, era melhor que ele não fizesse nada sem certeza absoluta do que ele queria.
Já no caixa, eu o segurei pelo braço e sussurrei em seu ouvido: “Diga que esqueceu o cartão de crédito!” Só assim poderíamos ir embora sem maiores problemas com o vendedor, que nos dava atenção há muito mais de uma hora.De repente, ele se vira para o caixa e repete, baixinho, as minhas palavras: “Desculpa, mas ... esqueci o meu cartão de crédito. Vou buscá-lo e passarei aqui mais tarde.” Enfim, eu respirei aliviada, o Cris sorriu pra mim e o vendedor deve estar nos esperando até agora... Depois de tanta indecisão, voltamos para casa e resolvemos deixar a escolha das bikes para outro dia.

domingo, 20 de dezembro de 1998

Praia Grande - Mongaguá

Deixando os sonhos de lado e colocando os pés no chão... nós passamos alguns dias na Praia Grande. Carregamos nossas companheiras e nos divertíamos ali mesmo, na ciclovia. Uma ciclovia que comporta mais pedestres do que bikes, diga-se de passagem. Porque apesar de muito bem feita e muito bonita, a ciclovia não é respeitada pelos pedestres.
Depois de um gostoso dia na praia, era final de tarde e o sol já ameaçava se pôr. Como verdadeiros iniciantes, não tínhamos os equipamentos mínimos de segurança (nunca façam isso!), mas de repente sentimos uma vontade maluca de pedalar em direção a Mongaguá... E pedalamos por mais de 20 Km, com a alegria estampada no rosto e um prazer imenso que vinha do fundo da alma por estar conquistando um desafio totalmente novo e inesperado.
Dividimos todo o percurso com automóveis e pessoas eufóricas pelas ruas e calçadões. Mas nada disso importava. Nossos olhares estavam fixos no que poderíamos encontrar pela frente. Cada Km a mais pedalado era um motivo a mais para comemorar. Nossas bikes nunca pedalaram com tanta emoção...
Nós chegamos em Mongaguá já noite. Pedalamos ainda pelo centro, nos divertimos tirando muitas fotos, escolhemos um lugar aconchegante para um lanche rápido e apreciávamos a noite na praia para recarregar as energias da volta.
Iniciamos a pedalada da volta já perto da meia-noite. Fizemos a volta pelo mesmo caminho. Estávamos felizes e apaixonados pelo simples prazer de pedalar, com muitas coisas novas e divertidas para contar. Hoje me lembro sorrindo o quanto foi dolorido passar vários dias com as pernas assadas por não estar usando uma roupa apropriada. Lembro-me também o quanto estava insegura por não usar um capacete e por não ter ferramentas adequadas caso algo quebrasse pelo caminho. Mas não me arrependo. Foi muito importante sentir tudo isso para alimentar ainda mais o sonho de ter uma mountain bike de verdade, com roupas e equipamentos adequados.