segunda-feira, 31 de janeiro de 2000

Poços de Caldas MG: Adrenalina a mil na trilha do Cristo

01/2000


E lá estávamos, a caminho de Poços de Caldas, a 270 Km de São Paulo. Em plena época de tempestades... Saímos de São Paulo um dia após o último dia de chuvas fortes, que trouxeram muito prejuízo para a região. Tivemos de fazer desvios na estrada diversas vezes, porque as chuvas deixaram muitos caminhos bloqueados. Sinceramente, em alguns momentos cheguei a pensar que não chegaríamos lá.
Chegamos na cidade já de madrugada. Desta vez não foi difícil encontrar um bom hotel e com excelente preço mesmo em época de férias, quando tudo costuma estar lotado. A cidade é linda, perfeita para casais apaixonados. Tivemos tempo suficiente para conhecer os principais pontos turísticos em três dias. A Cachoeira do Véu das Noivas, a Locomotiva, o Xadrez Gigante, o Relógio Floral, a Fonte dos Amores, o Parque Municipal e o Teleférico (e ainda existem mais). Todos os passeios são cheios de charme e merecem uma visita.
Estávamos com medo da volta das tempestades. Então, antes de iniciarmos a Trilha da Cachoeira das Antas, ouvimos muito bem a previsão do tempo (de muito sol). Partimos para o Morro do Cristo, de carro, com as bikes. O visual é lá em cima é impressionante. Deixamos o carro estacionado e antes de iniciarmos a trilha, fizemos uma pausa para contemplar o visual do Morro, com muitas fotos.
A trilha é o máximo, tem descidas eletrizantes, e foram justamente essas descidas que nos deixaram apavorados: pudemos perceber todo estrago causado pela chuva . Se estivéssemos lá e começasse uma tempestade, certamente seríamos levados pelas águas. Havia muitos sinais de erosões recentes, árvores caídas e grandes pedras para todos os lados.Pra falar a verdade, adoramos a trilha e curtimos muito a aventura, mas estivemos o tempo inteiro rezando para que não chovesse (ainda bem que fomos atendidos). A Cachoeira das Antas é um espetáculo, mas o melhor de tudo veio com o final da trilha: ela termina lá embaixo, no pé do morro. Então, estacionamos as bikes no hotel que estávamos hospedados (que para nossa sorte era bem próximo), e subimos de teleférico para buscar o carro. A paisagem é fascinante lá de cima. É possível avistar toda a cidade.

Ilha Grande RJ: A sede, a fome e o cansaço não importam. Tudo é compensado com o orgulho da vitória.





01/2000

Foram longos meses de expectativa aguardando a viagem de Ilha Grande. Buscamos muitas informações sobre as trilhas, porque sabíamos que a maioria delas eram feitas especialmente para o Trekking. Estudamos muito diversos guias e revistas sobre a Ilha, especialmente as matérias sobre as trilhas. Nós as tínhamos como verdadeiros desafios, porque sabíamos que o desgaste físico seria muito grande. Também contávamos que o forte calor do mês de janeiro contribuiria para isso.
Quando partimos em direção a Ilha, tínhamos a intenção de permanecer por lá 3 dias. Mas Ilha Grande é um paraíso. Um paraíso de águas claras, cristalinas e fantasticamente coloridas. Coloridas de todos os tipos de peixes, de vidas. Considero tarefa quase impossível descrever sua beleza. É preciso ver e sentir bem de perto para entender o que estou dizendo. Sendo assim, estendemos nossa estadia por mais dois dias, para curtir todos os encantos da Ilha.
Desembarcamos na Ilha a pé. Com mochilas, bikes, na altíssima temporada de verão e sem reservas de hotel. Para preservar a Ilha, a entrada de automóveis é proibida. Após algumas tentativas, conseguimos uma excelente pousada, onde o dono é morador e um profundo conhecedor da Ilha.
Fizemos de tudo: conhecemos diversos tipos de restaurantes (há comida para todos os gostos e bolsos); os passeios de escuna são simplesmente fantásticos; todos os dias, no pôr-do-sol, a parada é obrigatória lá no Bicão (todos conhecem, é só perguntar) e claro, pedalamos muito... Escolhemos duas trilhas: a primeira sai de Abraão e vai até Saco do Céu, e a segunda sai de Abraão e vai até Dois Rios. Nas duas trilhas a volta é pelo mesmo caminho.
O sol aqui já nasce fervendo. Todas as paisagens são fascinantes. Nosso dia começava as 07h:30 min., e só retornávamos para a pousada após as 19:00 horas. Era uma delícia aproveitar um bom banho e sair faminto para escolher um gostoso restaurante. O centrinho da Ilha, em Abraão, é minúsculo, mas percorrê-lo a noite era maravilhoso.
Partimos de Abraão em direção ao Saco do Céu com todos os equipamentos necessários (ferramentas, primeiros socorros, água e comida). Não tínhamos um mapa detalhado da trilha. Sendo assim, não sabíamos exatamente o que encontraríamos pela frente.
Durante todo os percurso é possível encontrar bicas de água potável (é uma delícia!). A trilha é alucinante. Acreditamos que ela seja mais indicada para o trekking, mas não pensamos em desistir por isso. Carregamos e empurramos a bike muito mais do que pedalamos, mas a emoção, a adrenalina de chegar do outro lado da Ilha é maravilhosa. Primeiro você pedala até o topo do morro, ou melhor, carrega. Depois você desce até a praia.
O caminho é de muitas pedras, riachos, bambuzais, paisagens fantásticas, barulhos esquisitos que vêm do meio da mata e, prepare-se: com certeza você levará algum tombo pelo caminho! A trilha é muito pesada, ainda mais se levando em consideração o calor de 42º C. Mas o visual é compensador. Almoçamos no restaurante da Dona Maria, muito famoso para os turistas nesta trilha.
Passado o almoço, os mergulhos e a pausa para descansar, foi necessário juntar minhas últimas forças para voltar. Eu sabia que a volta seria pelo mesmo caminho, portanto também muito difícil. Eu respirei fundo, me agarrei a toda minha coragem e força de vontade, escutei muito bem todo o incentivo e força que o Cris me deu e então, voltamos. Eu consegui. Nós conseguimos. Voltamos inteiros, felizes, realizados e vitoriosos. E como não poderia deixar de ser, fomos tomar banho no Bicão para repor as energias.
No dia seguinte aproveitamos para descansar. Tivemos um problema sério de desidratação devido ao forte calor. Passamos o dia na sombra, a base de frutas, torcendo para que estivéssemos melhores no dia seguinte para a próxima trilha. Nosso maior erro foi acordar na manhã seguinte achando que estávamos bem, preparados para pedalar e encarar uma trilha.
Iniciamos a trilha em direção a Dois Rios, debaixo do mesmo sol de 40º C. Foram precisos apenas alguns Km para descobrirmos que ainda não estávamos bem (de um total de 18 Km). E novamente erramos porque não pensamos em desistir, em voltar para a pousada. Queríamos ir até o fim. A subida desta trilha é menos íngreme, porém mais contínua. Só pensávamos em chegar em Dois Rios para conseguir um barco para voltar, porque estávamos completamente desidratados, sem nenhuma condição física para suportar a trilha.
Quando chegamos a Dois Rios, passamos horas debaixo de uma árvore. Conhecemos o Presídio, mas de longe. Não tínhamos mais forças para andar. Muito menos pedalar. Nós só queríamos um barco. Mas, para nossa surpresa, a praia de Dois Rios não é lugar de parada. Ela é praticamente deserta. Entre seus pouquíssimos moradores, a informação que recebemos é de que como estávamos do outro lado da ilha, era impossível um barco pequeno nos levar de volta. Além de perigoso, levaria muito tempo e ninguém ali estava disposto a fazer isso. E ali mesmo ficamos, deitados na areia, tentando ainda arrumar forças para pensar no que iríamos fazer para sair dali. Não adiantou muito pensar, porque não tínhamos outra saída. Tínhamos que voltar pedalando ou a pé, empurrando nossas bikes. E o calor continuava lá, firme e forte, com a imponência de seus 40º C. Nos agarramos às últimas forças, retiradas do fundo de nossas almas, para conseguirmos voltar. O Cris também estava mal, mas a resistência dele é bem melhor que a minha. Por muito tempo o que me manteve de pé foi o apoio da minha bike.
Passados os 9 Km da subida, já não tínhamos mais água. Nunca fiquei tão feliz por encontrar água na minha frente... Mais uma vez respiramos fundo, e despencamos ladeira abaixo, porque agora teríamos 9 Km de descida (nada fácil, porque tinham muitas pedras pelo caminho, que dificultaram muito a pedalada). Quase desmaiei de felicidade quando avistamos a Vila Abraão (e de cansaço também). Mas nós chegamos... Mais um pôr-do-sol no Bicão e uma alegria imensa na alma por vencer mais um desafio!

domingo, 31 de outubro de 1999

Brotas SP: Muitas cachoeiras e pés de laranja pelo caminho

10/1999.
Feriado prolongado e uma vontade imensa de pedalar por novas trilhas. Desta vez, o lugar escolhido foi Brotas, interior de São Paulo. Mãos ao telefone e muita paciência para encontrar um lugar as vésperas de um feriado de sol e sem reservas. Já estávamos nos conformando com a idéia de ficar em São Paulo quando alguém recomendou procurar hospedagem na cidade mais próxima a Brotas.
A N A L Â N D I A. Sim, Analândia. Um nome em princípio um tanto estranho, mas que representa uma cidade charmosa e acolhedora. Analândia de belas paisagens e uma tranqüilidade de fazer inveja a qualquer morador de cidade grande.
Nos acomodamos muito bem em Analândia. No conforto de uma excelente pousada, aproveitamos para conhecer cada cantinho desta cidade. O Morro do Cuscuzeiro e do Camelo merecem uma visita. (as corujas que você encontrará por lá também!).
E claro, também descobrimos Brotas, a cidade das águas. Águas para todos os gostos e esportes. Sem esquecer da comida da fazenda, que é maravilhosa. Por todos os lados encontramos os mais diferentes tipos de esporte. A galera do rapel, do rafting e do bóia-cross. Além de muitos curiosos, que visitavam a cidade apenas com o intuito de se divertir, desfrutando do conforto da cidade e se encantando com suas cachoeiras.
Saímos bem cedo de Analândia para iniciar a trilha de 35 Km em Brotas. E que bela trilha!Estávamos encantados com a possibilidade de pedalar e ao mesmo tempo conhecer primorosas cachoeiras. A certa altura, podíamos olhar minuciosamente para todos os lados que nada enxergávamos. Apenas uma beleza infinita, da natureza ainda preservada. E foi com satisfação que pagamos todas as entradas das cachoeiras, porque todas estavam muito bem preservadas.
Desta vez, além do nosso companheiro inseparável, nosso amigo sol, também estivemos em companhia constante dos pés-de-laranja. E para que a trilha estivesse completa, paramos ali mesmo na estrada para saborear as laranjas colhidas na hora. Bem, acho que recebemos um castigo por isso... o Cris sofreu um corte profundo no dedo, mas nada que uma boa maleta de primeiros socorros não resolvesse.
Bem, curativo resolvido, prosseguimos em direção ao final da trilha. Como prêmio, fomos acompanhados pelo pôr-do-sol durante o final do percurso. Além de graciosas paisagens, as cachoeiras também impressionaram, por seus encantos, imponência e incrível beleza.

terça-feira, 21 de setembro de 1999

Morungaba SP: Tudo que sobe tem que descer...

09/99. 
Cada visita as bancas de jornais e revistas é uma busca ansiosa por novas trilhas. E foi assim que encontramos a Trilha das Pedras, em Morungaba, interior de São Paulo. Tivemos uma forte intuição de que o lugar seria especial e perfeito para a prática do mountain bike.
Logo na chegada pudemos comprovar isso: os donos do bar onde deixaríamos o carro foram super gentis. Nos surpreendemos quando eles abriram os portões e ofereceram uma garagem tranqüila como estacionamento.
O sol, mais uma vez companheiro inseparável, brilhava como nunca. Já havíamos estudado o mapa da trilha anteriormente e sabíamos que os primeiros Km seriam de longas subidas... contínuas e deliciosas. Sinceramente, pensei que chegaríamos ao céu. A cada nova subida, a cada curva, pausa para muitas fotos. Este lugar tem uma paz especial. O cenário é encantador: nada existia ao alcance de nossos olhos. Somente a natureza, de formosas paisagens.
Pedalamos até encontrar o local que deu nome à trilha: uma paisagem de muitas pedras. Paisagens que nossos corações imaginaram com beleza, porque o forte calor e as queimadas da época destruíram o que deveria ser tão belo... Tudo estava negro lá em cima. Sem vida. Sem cor. Doeu na alma ver de tão perto o sofrimento da natureza. Fomos obrigados a parar por longos minutos para tentar aceitar o que estávamos vendo e seguir nosso caminho.
Durante a volta, nossos pensamentos foram os mesmos. Imaginávamos como esse lugar seria se não estivesse tão castigado pela seca, pelas queimadas. A continuação da trilha, depois de alcançar esta parte mais alta, foi bem tranqüila. E como tudo que sobe tem que descer... Mão nos freios e o coração a mil porque o restante da trilha foi apenas descida, ainda acompanhada de grandes paisagens.Foi muito gostoso curtir o retorno no barzinho onde deixamos o carro. Um lugar muito simples, mas perfeito para fazer o lanche da trilha. As pessoas foram muito simpáticas e nos receberam muito bem. Nunca foi tão gosto tomar refrigerante com sanduíche de mortadela...Tivemos motivos suficientes para planejar uma volta aqui, principalmente pela expectativa de reencontrar a natureza recuperada e muito mais bela.